Da Terceirona ao topo da Europa: como Kanté conquistou títulos e corações no Chelsea

Atual campeã mundial e vice-campeã europeia, a França estreia na Eurocopa, em junho, ostentando uma constelação de craques em seu elenco, com nomes como Pogba e Mbappé. Mas o último final de semana virou os olhos do mundo para um outro integrante desta seleção, dono de uma das histórias mais inspiradoras do futebol: o meio-campo N’Golo Kanté.

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Em tempo de ostentação, dancinhas e papos de “boleiro” nas redes sociais, o volante de 30 anos, campeão e escolhido o melhor jogador das semifinais e da decisão da Champions League pelo Chelsea, se destaca pela discrição. A timidez, o sorriso largo e a humildade nas palavras, quase sempre optando pelo “nós” ao “eu”, escondem uma meteórica ascensão no esporte.

Kanté acumula títulos na carreira Foto: Editoria de Arte

Com a vitória e a grande vitrine proporcionada pela Champions, torcedores pedem que Kanté seja escolhido o melhor do mundo em 2021 — já foi indicado à Bola de Ouro em 2017. A Eurocopa deste mês será decisiva para que o jogador mostre que pode, sim, conquistar um prêmio costumeiramente dominado por atacantes.

Começo tardio

Filho de imigrantes do Mali, Kanté cresceu em uma família grande, com quatro irmãs e três irmãos. Nomeado em homenagem a Ngolo Diarra, um ex-escravo que se tornou rei no Império Bamana, no Mali, no século XVIII, o jogador foi criado nos subúrbios de Paris, na comuna de Rueil-Malmaison. O pequeno N’Golo perdeu seu pai aos 11 anos, e desde cedo ajudou a família.

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Apaixonado por futebol desde criança, o francês teve dificuldade para se estabelecer profissionalmente, muito por conta da estatura (1,68m). Começou nas categorias de base do pequeno Suresnes até conseguir, quase dez anos depois, uma vaga no Boulogne, então na segunda divisão francesa.

Kanté comemora título da Premier League no Leicester Foto: Leicester City/Site oficial/Divulgação

O volante faria a sua estreia aos 21 anos, na campanha de queda do clube à terceirona. Seguiu jogando na temporada seguinte até rumar ao Caen, da Normandia. As duas temporadas no clube, por onde conseguiu o acesso à elite francesa, chamaram a atenção dos olheiros do Leicester City, da Inglaterra. Essa transferência mudaria o rumo de sua história.

Ao lado do atacante Jamie Vardy, Kanté foi o protagonista de um conto de fadas: em 2016, o modesto Leicester superou gigantes ingleses e conquistou o título da Premier League. Baseada numa defesa sólida, a equipe de Claudio Ranieri tinha muita confiança em Kanté, um exímio desarmador e interceptador.

— Ele é um cara adorável, além de ser um futebolista fantástico. Quando perdíamos a bola, não importava o que acontecesse, “boom”, ele aparecia e ganhava ela de volta para nós. Nos treinos, a coisa era tão fácil para ele que eu me convenci de que ele entregava as bolas para ter o prazer de roubar de novo — disse Vardy, em uma entrevista ao jornal “L’Equipe”, em 2019.

Dinamismo e imposição física

De lá para cá, o estilo de Kanté não mudou. Pelo contrário, se aperfeiçoou. Mais dinâmico, dono de imposição física invejável e um quebrador de linhas no meio-campo, foi peça central de todos os técnicos que passaram pelo Chelsea desde que chegou ao Stamford Bridge. Não se destaca por gols — não tem nenhum nessa temporada — ou assistências, mas por um equilíbrio entre defesa, saída de bola e ocupação de espaços sonhado por grandes treinadores.

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— Enquanto crescia, técnicos e companheiros me diziam que eu lembrava alguns jogadores. Mas sou apenas alguém que assiste futebol. Assistia aos jogos que me interessavam, mas não focava nos jogadores da minha posição — disse Kanté, ao site oficial da Uefa, quando perguntado sobre as comparações a grandes volantes franceses, como Makelelé e Diarra.

 

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